TROCANDO A PAIXÃO PELO AMOR

Paixão é um sentimento muitas vezes irracional. O homem apaixonado, ou a mulher apaixonada são capazes de atos extremos, só para demonstrar sua paixão pelo outro; é um comportamento inconstante, de momentos, e que só sobrevive se for reacendido periodicamente.

Já o amor não. É um sentimento maduro, perene, que não acaba jamais. Amor é muito mais que paixão, embora muitos confundam esses dois sentimentos. O amor, diferentemente da paixão, não é egoísta. Por vezes se sacrifica para ver o outro bem; a paixão, egoísta como ela só, visa apenas seus interesses mais imediatos, não levando em conta o sentimento do outro.

Quando vejo pessoas apaixonadas por seus clubes, logo faço esse paralelo. A paixão cega o torcedor. A paixão desperta sentimentos primitivos de ódio e violência. A paixão faz mal à própria pessoa e ao outro. A paixão sufoca o amor.

Atos de violência, cometidos por torcedores dentro ou fora dos estádios de futebol, revelam uma paixão desenfreada e doentia, que traz terror, insegurança e a mais triste consequência, que é a morte do torcedor do time rival. E o que é mais bizarro, às vezes entre torcedores do mesmo time. Triste que em pleno século 21 ainda tenhamos que nos deparar com acontecimentos que mancham a história do esporte mais querido do país. Seria bom se todos trocássemos a paixão pelo amor. O amor preserva, protege, enaltece, contagia, aquece, dignifica…

E a solução? A justiça diz que não pode ter torcidas dos dois clubes no estádio em que for realizado o jogo. Um absurdo que, infelizmente, temos que aceitar como a única e mais sensata a curto prazo. Lamentável, mas parece que será adotada essa medida, para proteger o torcedor e suas famílias da ação de criminosos travestidos de torcedores.

Constato aqui a falência da segurança pública, das escolas, das famílias, dos dirigentes dos clubes e do Estado, entre outros. Mas isto é assunto para a próxima crônica.

Forte abraço.